segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

23 anos essa tarde

As notícias da pré-temporada davam conta de que o Criciúma havia montado um time capaz de desbancar o Joinville, octacampeão catarinense. Por isso, quando a Rádio Clube divulgou a tabela do campeonato estadual de 1986, comecei a contar as horas para estréia colorada, dia 16 de fevereiro, contra o tricolor da Capital do Carvão.

Falando hoje pode parecer exagero saudosista, mas era dureza vencer o Inter no Tio Vida. E quanto maior fosse o adversário, mais se agigantavam aqueles jogadores de vermelho. Foi assim naquela tarde inesquecível.

O Inter manteve a base do time campeão da Taça Dite Freitas. Faltavam Jurandir, ainda sem condições de jogo; Calada, vendido ao Ferroviário; Alves e Cedenir. Estreavam o centroavante Zé Sérgio e o driblador ponta-esquerda Marcus Lima, muito antes de abraçar a MPB. O Criciúma vinha com a histórica meia-cancha Rached, Carlos Alberto e Vanderley, e lá na frente Edmilson tinindo com a 9 tricolor.


Foi fácil demais. O Inter começou atacando para a arquibancada coberta. Bin abriu o placar com a categoria habitual, deslocando o goleiro Évelton no pênalti (foto acima). Depois Marquinhos Lima entortou Itá e cruzou para Zé Sérgio mergulhar entre a zaga e meter de cabeça o segundo.

O baile continuou na etapa final com grande atuação de João Carlos, que marcou o terceiro, chutando da meia-direita. Para festa ficar completa, no fim do jogo Chicão defendeu um pênalti cobrado por Treze, enquanto a torcida organizada colorada O Bem-Amado batucava lá na geral o vitorioso samba da Estação Primeira de Mangueira: - Tem xinxim e acarajé, tamborim e samba no pé...

Para chorar de saudade: Wallace, Chicão, Aloísio Maguila, Luisinho, Dodô, Bin, Marciano, João Carlos, Zé Sérgio, Mané e Marcus Lima, os responsáveis pela inesquecível tarde de 16 de fevereiro de 1986.

O Criciúma confirmaria as previsões e acabaria vencendo o campeonato. Mas na minha galeria de jogos inesquecíveis reluz o dia em que o Leão devorou o Tigre enquanto éramos apresentados aos dribles de Marcus Lima, o ponta-esquerda que tinha samba no pé. Faz vinte e três anos essa tarde.

Internacional 3x0 Criciúma
16 de fevereiro de 1986
Estádio Vidal Ramos Júnior
Árbitro: Dalmo Bozzano
Inter: Chicão, Wallace, Aloísio Maguila, Luizinho e Dodô; Bin, João Carlos e Mané (Paranhos); Marciano (Otávio), Zé Sérgio e Marcus Lima.
Criciúma: Évelton, Jorge Luiz (Guinga), Sílvio Laguna, Solis e Itá; Rached, Carlos Alberto e Vanderley (Dirceu); Paulo Borges, Edmilson e Treze.
Gols: Bin (pênalti) aos 16 e Zé Sérgio aos 34 do primeiro tempo; João Carlos aos 38 do segundo tempo.

A foto do gol de pênalti foi restaurada por
Marta F. Rajabally

4 comentários:

Patrick disse...

E 1986 foi o ano em que, na minha opinião, participaram do campeonato os nomes de verdade do futebol catarinense, os dez que deveriam sempre compor o estadual (com a concessão, claro, para a subida de alguém da segunda divisão): Inter, Marcílio Dias, Chapecoense, Avaí, Figueirense, Joinville, Ferroviário, Hercílio Luz, Próspera e Criciúma. Talvez o ideal seria o estadual com 12 equipes pra entrar um time de Blumenau (o próprio BEC, talvez, já que os outros da cidade já estão fora há muito tempo) e um de Brusque (o Brusque?) Essa, pra mim, é a essência do futebol catarinense. Nada de Metropolitanos e Atléticos Tubarão/Cidade Azul da vida.

Adalberto Day disse...

Muaricio
Jogos inesqucivéis, são melhores as vezes que um titulo. Essas recordações faz parte das nossas alegrias, uma partida só, siginifica muito. Assim também tenho muitas partidas que jamais irei esquecer.
Um abraço
Adalberto Day cientista social e pesquisador em Blumenau

Omar Carvalho disse...

Caramba Mau, ai tu me mata mesmo.. eu no alto dos meus 11 anos de idade lembro dessa tarde histórica..

Mario Motta disse...

Querido Mauricio,

Este foi o último jogo em que trabalhei pela Rádio Clube ainda morando em Lages. No dia seguinte, 17 de fevereiro de 1986, viajei com a Glórinha (minha mulher) e meus filhos (Mario Aleixo e Maria Carolina) para Florianópolis, onde resido até hoje. "Morar" mesmo (de coração), continua sendo aí por essas bandas. Gosto muito daqui, fui e sou muito bem quisto e devo gratidão a todos, mas deixei meu Pai sepultado no bairro da Penha - ele e o Divino (ele mesmo, da Hora da Corneta) e muitos amigos (vivos para minha alegria)... Um abraço e parabéns pelo Blog.