A história dos times, jogadores, dirigentes, torcedores, radialistas e corneteiros que marcaram época no futebol da Serra Catarinense. CONTATO: livrodointer@gmail.com
Dia 15 de agosto o Inter volta à ativa, na divisão de acesso, contra o Oeste. Estarei lá no Vidal Ramos, como fiz a vida toda, independente da divisão. Mas ontem fiquei sabendo que os juvenis e juniores do Colorado jogariam no campo dos amadores, e não aguentei. "Me pinchei" pro Pisani para dar uma olhada.
Ao avistar o campo, ainda de dentro do carro, enxerguei aquelas lindas camisas vermelhas se espalhando pelo gramado verde, debaixo de um abençoado céu azul no inverno lageano. Impossível não se emocionar.
Vi o finalzinho da partida dos juvenis, que perderam pro Navegantes por 2x1, e assisti a todo o jogo dos juniores. O Inter saiu na frente, gol do centroavante Caio, e poderia ter até goleado. Os gols perdidos fizeram falta, o Navegantes virou e o Inter só conseguiu o empate no último minuto, golaço do zagueiro Franklin de fora da área.
Os juniores devem ser classificar para as semifinais. É bom o time, principalmente o meia Folha, e o técnico Pacheco montou um esquema bem equilibrado. Segue aí uma foto do jogo, cortesia do Adecir, d'O Momento. Um bom aperitivo para o dia 15 de agosto.
Inter 2x2 Navegantes 28 de julho de 2010 Estadual de Juniores - Divisão de acesso Estádio dos Amadores - Lages Árbitro: Alisson Furtado Inter: Jonatan, Matheus, Edson, Franklin e Valdinei; João Guilherme, Folha, Diego e Eduardo; Caio e João Daniel. Técnico: Pacheco. Gols do Inter: Caio e Franklin.
O ponteiro Zezé recebeu a bola ao lado da área, vigiado de perto pelo lateral Édson Madureira. Ameaçou retroceder para o armador Ricardo, mas mudou o movimento do pé e deu um toque cavado para o fundo do campo, ganhando meio passo de vantagem sobre seu marcador. O cruzamento saiu suave e passou por cima do centroavante Puskas, que puxara a marcação no primeiro pau. Por pouco a bola não encobre também o camisa onze Anacleto, que subiu tudo o que pôde, logo ele, que nunca havia feito um gol de cabeça. Das cinco mil pessoas que superlotavam o acanhado estádio Vidal Ramos, nenhuma teve melhor visão do lance do que Zezé. Ele viu Anacleto dar com a testa em cheio na bola, que tomou o rumo do canto esquerdo do goleiro Rubens. Apanhado no contrapé, o velho Rubão se esticou todo, com a mão esquerda espalmada. Não houvesse a rede e a bola pararia nos pés de Zezé, depois da linha de fundo. Mas havia uma rede, e a bola ficou ali, no fundo do gol do Metropol.
Naquele instante, o Internacional de Lages marcava pela segunda vez na tarde de 27 de março de 1966. Anacleto, que tinha um canhão no pé esquerdo, também havia marcado o primeiro gol, mas de pé direito. Ele jamais havia marcado gols com o pé direito ou de cabeça, e quis o destino que o fizesse justamente no jogo mais importante de sua vida, o jogo que deu ao Internacional a maior conquista de sua história, o título de campeão catarinense de 1965. O lendário Metropol ainda marcaria o seu gol de honra, mas não seria suficiente para estragar a festa colorada.
O Inter de Lages, clube que havia sido fundado 17 anos antes por torcedores do Inter de Porto Alegre, não acabou ali. Na verdade, estava em plena ascensão. Ainda em 1966, inauguraria o seu próprio estádio, o Vermelhão, em um amistoso contra o Huracán de Buenos Aires. Em 1974 seria vice-campeão catarinense, com o centroavante Parraga, que brilharia depois na Ponte Preta. Teria ainda outras glórias que não constam sequer como nota de rodapé na história do futebol, mas que orgulharam sua torcida. Uma vitória contra a Máquina Tricolor, com Edinho e Rivellino, em 1978. A honra de ter Andrade, campeão do mundo pelo Flamengo, vestindo sua camisa vermelha em 1991. E a última grande festa, a conquista do campeonato estadual da segunda divisão em 2000, com um gol de falta de Kuki, ainda longe do sucesso que teria no Náutico.
Para todos que, como eu, frequentaram o estádio Vidal Ramos, o Internacional era um gigante. Porque representava a nossa cidade, porque amávamos o time sem pedir nada em troca, porque era aquele o futebol que nos chegava sem o chiado do rádio e sem o distanciamento da televisão. O Internacional era o nosso futebol com cheiro de grama, com o estampido seco da chuteira batendo na bola, com os lugares que ocupávamos domingo após domingo, longe demais dos Maracanãs e Morumbis, mas perto de nossos passos, de nossas casas, de nossos sonhos.
Assim como o Tejo não era mais belo que o rio da aldeia de Pessoa porque não era o rio da aldeia de Pessoa, amávamos o Internacional. Não era um clube que jogava as grandes ligas, que pisava os melhores gramados, que arrastava multidões, mas era o clube da nossa aldeia. Era, porque está desativado, vitimado por ele próprio, pelo futebol que não se faz mais com a renda dos jogos, pelo tempo que é tão diferente daquela tarde nublada de 27 de março de 1966.
Eu poderia falar do Internacional pelas histórias que ouvi, pelos dribles que vi, pelos gols que gritei. Poderia dizer que aquelas camisas vermelhas se espalhando pelo campo é meu sentimento mais remoto de pertença. Mas prefiro mostrar a foto do gol do título, com Anacleto já caído vendo a bola entrar, Rubens esticado no salto inútil, o estádio a décimos de segundo da explosão maior. Só por hoje, vou acreditar que o Internacional ficou congelado ali, a um sopro de sua glória maior. Porque faz 44 anos esta tarde e porque o Inter agora, parafraseando Drummond, é só uma foto na parede. E como dói.
Internacional 2x1 Metropol (Criciúma)
27 de março de 1966 – Campeonato Catarinense – FINAL (temporada 1965)
Estádio Municipal Vidal Ramos Júnior – Lages
Árbitro: José Witti da Silva (Paraná)
Inter: J. Batista, Antenor, Leoquídio, Setembrino e Carlinhos; Dair e Almir; Zezé, Ricardo, Puskas e Anacleto.
Metropol: Rubens, Pedrinho, Hamilton, Nenê e Edson Madureira; Zequinha e Milton; Calita (Galego), Idézio, Madureira e Wolney.
Gols: Anacleto aos 15 do 1° tempo; Anacleto aos 14 e Édson Madureira aos 30 do 2° tempo.
Obs.: com este resultado, o Internacional conquistou o campeonato catarinense de 1965.
Faleceu hoje, em Lages, Luiz Schwalb, ex-diretor do Esporte Clube Internacional. Em nome da família colorada e dos desportistas de Lages, enviamos nossos pêsames à família e registramos nossa eterna gratidão.
No dia 9 de setembro de 2009, data em que o futebol mundial voltava os olhos para o jogo entre Brasil e Chile na Bahia, a história do futebol serrano e catarinense ficava um pouco mais pobre. Em Videira, aos 82 anos, faleceu o goleador Clóvis Fava.
Seu Clóvis jogou no futebol lageano nos anos 50, por Vasco e Aliados. Como avante do time aliadino, foi tricampeão citadino em 1953. Guardou a faixa de tricampeão lageano por toda a vida, e em 2009 posou orgulhosamente com ela sobre o peito.
Tive a oportunidade de entrevistar Clóvis Fava por telefone, em julho. Ficamos de combinar uma data para falarmos pessoalmente, mas indesejada das gentes foi mais rápida e levou Clóvis para o céu. Lá reecontrará seus amigos das tardes gloriosas no Areião de Copacabana, e entre as nuvens voltará a marcar seus gols de cabeça. Seu companheiro José Reali Lambança certamente o recebeu de braços abertos, e já estendeu a camisa 9 vermelha, branca e amarela do Aliados, repetindo a ordem que tantas vezes deu a Clóvis aqui na terra: - Fava, vai logo e faz uns gols, que hoje não estou disposto a correr muito.
Recomendo a leitura do post do amigo Pardal, de Videira, que conviveu com Clóvis Fava e fez uma bela e merecida homenagem ao velho artilheiro. Acessem http://botecodopardal2.zip.net/
Hoje, no lugar do texto, peço um minuto de silêncio e deixo duas fotos de Clóvis Fava. Uma com a camisa do Vasco de Lages, no Areião, nos anos 50, e a foto de 2009, com a faixa de tricampeão pelo Aliados no peito.
ATUALIZAÇÃO: um recurso impetrado pela Associação Marka / Bastos paralisou o campeonato. A medida se refere à confusão no jogo entre Marka e Moitas, que acabou não acontecendo no Ivo Silveira. Os times jogaram dias depois em quadra neutra, quando a vitória do Moitas eliminou o Marka. Entendo-se prejudicado, eis que na data do primeiro jogo o árbitro chegou a dar WO em seu favor, o time lageano protesta pela restauração dos pontos que teria ganho com o WO.
Hoje é aniversário de Jaime Serramalte, um dos grandes nomes do Inter na primeira metade dos anos 60. Serramalte participou da campanha do vice-campeonato de 1964, mas saiu antes do fim do campeonato para a Perdigão, de Videira, agremiação pela qual seria campeão catarinense em 1966.
Jogando mal, o Inter foi goleado pela Chapecoense por 4x1 no Jones Minosso. No comentário de Zé Melo, na Rádio Guri, o time foi várzea em cima de várzea...