quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Edno


E o lageano salvou a Lusa hoje no Canindé, na sétima rodada do Paulistão. Vitória por 3x2 contra o Paulista, com dois gols de Edno. Ele abriu e fechou o marcador, um de cabeça e outro de pênalti. A Lusa pula para 11 pontos na classificação.

Update em 15 de fevereiro: Edno de novo, Botafogo 0x1 Portuguesa, e a Lusa chega ao G4.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Para matar a saudade

Zezé recebe um passe em profundidade e faz o gol tocando no contrapé do goleiro. Dutra desarma o adversário e toca para Bin, que sai jogando de cabeça erguida. O cruzamento de Anacleto, de primeira, vai na cabeça do centroavante. Vacaria toca por cima do adversário para Daniel, que deixa a bola quicar e chuta rente ao ângulo.











Zezé marca na saída do goleiro: quem sabe não esquece

Não, não é uma coletânea de flash-backs da história colorada. São lances do último sábado, da goleada dos masters do Inter de Lages sobre o time da imprensa, por 10x1. Os belos lances e os sorrisos após o jogo não deixaram dúvida: eles mataram a saudade da bola e a bola matou a saudade deles.










Claro, teve muito mais. Um golaço por cobertura de Erlon, um pênalti magistralmente cobrado por Ori e o gol de honra do time da imprensa marcado pelo intrépido Jones Paulo, que dedicou o tento a Zé Melo. Depois, uma ovelha inteira na brasa e cerveja gelada.

Vídeo: o gol de pênalti de Ori
Amigos, boas histórias, churrasco e muitos gols. Longa vida à AVEP, ao Inter e à bola bem jogada.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Uma viagem no tempo

Como em um passe de mágica, uma espécie de Inter de todos os tempos entrou em campo hoje. No mesmo time, nomes maiúsculos da história colorada trocaram passes e reviveram um pouco do sonho que nasceu no dia 13 de junho de 1949: Zezé, Anacleto, Bin, Dutra, Vacaria e muitos outros mataram a saudade da camisa vermelha.
















Na foto, relembrando o post anterior, a classe do moço de Urubici, Daniel, categoria que o tempo não gasta.

Mais fotos e detalhes no próximo post.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Daniel, o moço de Urubici

Durante alguns anos a abertura das jornadas esportivas da Rádio Clube de Lages iniciava com um jingle que dizia: É bola no chão, é bola no pé, é bola no ar, é bola na rede pra você vibrar... E a nossa equipe que é a mais forte vem aí pra falar de esporte... Em seguida reinava a voz imponente de Aldo Pires de Godói com uma narração de arquivo, que terminava assim: ... Daniel chutooou, bateu no poooste!, voltou para Daniel, bateu é gol! Goooooooooooooooollll do Internacionaaallll... E então o mestre de cerimônias da jornada iniciava oficialmente a transmissão.

Daniel. Me recordo dele das primeiras vezes em que fui ao estádio. Fazia uma meia-cancha com Bin e Vanusa, em um time que ainda tinha os alucinados Mica e Vacaria pelas extremas e Jones fechando pelo meio. Um timaço, e lá ia Daniel, às vezes meia, às vezes atacante, conforme pedia o jogo. Lembrava Doval, do Fluminense, loiros cabelos esvoaçantes rumo à meta inimiga.

Daniel foi descoberto pelo ex-diretor colorado Hamilton Buck, em 1978. Os juvenis do Inter enfrentaram o São José de Urubici pela antiga Copa Arizona. Tomaram de nove, cinco gols de um garoto chamado Daniel dos Passos Fritz. Buck não descansou enquanto não fez Daniel trocar os dias de trabalho em uma marcenaria pelos treinos no Vermelhão de Copacabana.Daniel e o irmão Luiz no São José de Urubici: 1978

Daniel esperava pelo primeiro treino, e o técnico ainda não o conhecia. Sentado no velho pavilhão de madeira, com o olhar distante, parecia mais um cantor de rock do que um jogador de futebol. O técnico perguntou ao descobridor de Daniel o que fazia aquele cabeludo sentado ali. Buck, que além de cartola era barbeiro por profissão, passou a navalha na conversa e respondeu seco: - Gols.

Gols, e Daniel fez muitos. Bola na rede, corria para o alambrado para comemorar com o torcedor. Camargo Filho fazia a festa na rádio e chamava o jovem artilheiro de o moço de Urubici. Foram felizes em sua união os torcedores colorados com o moço de Urubici. Brevemente felizes.


















Daniel com jeito de roqueiro e Jones: azar dos goleiros

Aos 26 anos, com toda a bola do mundo pela frente, Daniel parou de jogar futebol. Após uma dividida com o meia Motor, do Blumenau, no dia 8 de maio de 1983, Daniel foi ao chão, meio de lado. O adversário caiu em cima dele. Eram corridos 44 minutos do primeiro tempo. Daniel levantou e continuou jogando mais dois minutos, até o apito do juiz. Desceu as escadas do vestiário sentindo uma fisgada um pouco acima do abdômen. Sentou para descansar e não conseguiu mais levantar. Um mês depois, extraiu um rim. E não voltou mais a jogar futebol.

Hoje Daniel trabalha com controle de qualidade e passa o tempo livre pescando. Mora em frente às ruínas do Vermelhão. Com o mesmo olhar distante, se pergunta: - Como tudo isso pode acabar? Juntava gente para ver nossos treinos. Tem a voz mansa e sorri ao rever velhas fotos. Ao relembrar um gol o olhar distante se torna fixo, como se mirasse o canto em que o goleiro não está, e murmura: - Não existe nada igual a fazer um gol. Nada.

Diz que deve ter a gravação da narração que abria a transmissão dos jogos em algum lugar. Aponta para a foto na parede com o time posado, fala o nome dos companheiros e o pensamento se perde. De repente o olhar distante fica fixo de novo. Lembra de um chute tão forte que furou a rede. São dezesseis horas de uma tarde qualquer em Lages. O Vermelhão está em ruínas, o Vidal Ramos Júnior está vazio, a voz de Aldo Pires de Godói não ecoa mais. Daniel volta ao tempo em que fazia o que mais gostava. Gols.

(escrito em 3 de fevereiro de 2009)

A foto de Daniel e Luiz foi restaurada por
Marta F. Rajabally

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dos juvenis aos profissionais: Zequinha, colorado de verdade

Faleceu no dia 29 de janeiro José Floriani Xavier, o Zequinha, 72 anos, nome de destaque nos primeiros anos do Internacional de Lages. Vestiu a camisa colorada pela primeira vez em 1950, como juvenil. Ao lado de seus amigos Rogério Ramos, Aujor, Plínio e outros, foi bicampeão invicto da categoria. Repetiu o bicampeonato no time de aspirantes, em 1953 e 1954. No ano seguinte, subiu para os profissionais quando o Inter precisou dos antigos juvenis para continuar em atividade. Participou da conquista do bicampeonato citadino em 1959 e 1960, e jogou pelo Inter até 1962. Durante muito tempo foi o jogador que atuou mais tempo no Leão da Serra, sendo superado posteriormente por Martinho Bin. Zequinha nasceu em Lages, no dia 19 de março de 1936, e deixa uma imensa saudade aos familiares, amigos e desportistas lageanos.
Em nome da torcida do Internacional, registro nossas homenagens ao grande Zequinha, um dos maiores nomes colorados da história.

sábado, 31 de janeiro de 2009

1955: o Olaria em Lages


Em 1955 o futebol de Lages ainda caminhava lentamente rumo ao profissionalismo. Aliados, Vasco, Lages e Internacional tinham em seu elenco jogadores remunerados junto a outros que vestiam a camisa apenas pelo prazer de jogar o foot-ball. O único clube que resistia à idéia de pagar seus atletas era o mais humilde de todos, o Pinheiros. Fundado com o nome de Esporte União Operária em abril de 1948, o alvi-verde só aceitava jogadores da classe operária. Por isso, enquanto os jogadores remunerados do Lages eram chamados de milionários, os do Pinheiros eram os proletários.

Apesar de seus resultados modestos nos campeonatos citadinos, o Pinheiros fez história em 1955 ao convidar o Olaria para um amistoso no estádio Vidal Ramos Júnior. O torcedor lageano já havia assistido naquele ano a exibição de um grande clube, no jogo entre Grêmio de Porto Alegre e um combinado de jogadores de Aliados Futebol Clube e Grêmio Esportivo Vasco da Gama, mas a visita de um time carioca parou a cidade.

Torcedores de todas as bandeiras lageanas foram ao field naquele dia 21 de abril, e aplaudiram um primeiro tempo arrasador dos cariocas. O goleiro Caninini, que além de goal-keeper era boxer nas pugnas improvisadas no Teatro Tamoio, levou dois gols do atacante Gaúcho, aos 4 e aos 12 minutos. Arlindo aos 26 e Mário aos 34 elevaram a contagem para 4x0, e Caninini foi substituído por Segala.

Mais ajustados, os proletários descontaram no segundo tempo, com Patrocínio e Ruy. Mas o Olaria respondeu e fechou o escore em elevados 6x2, com gols de Olavo aos 40 e Eltes no último minuto. A festa continuou à noite, com um jantar oferecido pela Liga Serra de Desportos aos desportistas locais, à delegação do Olaria e ao árbitro carioca A. Rocha, que apitou o jogo.

Outros clubes cariocas – América, Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo – jogariam em Lages nas décadas seguintes. Mas foi simpático clube da Rua Bariri o primeiro time do Rio de Janeiro a pisar o gramado do estádio Vidal Ramos Júnior.

Pinheiros (Lages) 2x6 Olaria (Rio de Janeiro)
21 de abril de 1955 – 16:10 horas
Estádio Municipal da Ponte Grande (atual Vidal Ramos Júnior) – Lages
Árbitro: A. Rocha (FERJ)
Pinheiros: Caninini (Segala), Zé Otávio (Miltinho) e Lambert; Bolega, Vicente e Mineiro; Guaraci, Oscar, Patrocínio, Isaac e Pecinha (Ruy).
Olaria: Walter, Cláudio e Renato; Rafael, Olavo e Dodô; Toledo, Arlindo, Gaúcho, Eltes e Mário.
Gols: Gaúcho (2), Arlindo, Mário, Olavo (pênalti) e Eltes para o Olaria; Patrocínio e Ruy para o Pinheiros

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Na TV Araucária

Hoje participei do jornal da TV Araucária, divulgando um pouco mais o livro. Fui entrevistado no último bloco pelo multimídia Ricardo Córdova, a quem agradeço pelo espaço. É muito bom poder contar um com telejornal local, voltado aos fatos da região.

Melhor ainda, na saída tive uma ótima notícia para quem se preocupa com o resgate da história do esporte de Lages... Mas conto outra hora!