A história dos times, jogadores, dirigentes, torcedores, radialistas e corneteiros que marcaram época no futebol da Serra Catarinense. CONTATO: livrodointer@gmail.com
Já circula entre os jornalistas texto do meu amigo Patrick Cruz divulgando a volta do Inter. O Rodrigo, lá de Brusque, que mantém um excelente blog sobre o esporte catarinense, já deu uma força, acessa lá!. O Edson Varela também publicou e a corrente vai se formando. Bora, Inter!
Li no blog Bola de Meia o post Você sabia? Futebol brasileiro já teve jogos debaixo de neve, que relembrou as partidas Esportivo x Grêmio, em Bento, e Chapecoense x Criciúma, em 1979. Naquela mesma noite, 30 de maio de 1979, Internacional e Avaí jogaram em Lages debaixo de uma nevasca inesquecível e enfrentando um frio de 2 graus negativos. Os vendedores dos tradicionais pastéis e iguarias de amendoim, naquela noite, vendiam conhaque! Durante o intervalo, nevou muito forte, e quando os times voltaram para o segundo tempo o campo estava absolutamente branco.
Internacional 1x1 Avaí (Florianópolis) 30 de maio de 1979 – Campeonato Estadual Estádio Municipal Vidal Ramos Junior – Lages Árbitro: Francisco Simas, auxiliado por Edvaldo Coelho e Silvio Theodoro da Costa Inter: Luiz Fernando, Chicão, Nivaldo, Eduardo e Clademir; Bin, Daniel e Vanusa; Jorge Guilherme, Wilson (Jones) e Vacaria. Avaí: Zé Carlos, Deide, Beto, Adaílton e Rosa Lopes; Lourival, Katinha e Lima; Valter, Jorge Luiz e Zé Paulo (Nilson). Gols: Jorge Luiz aos 11 do 1° tempo; Jones aos 10 do 2° tempo.
UP DATE: O post foi citado lá no Bola de Meia, a quem agradeço a força! E lá no História do Futebol, onde o post também foi publicado, o enciclopédico e lendário Adalberto Kluser prometeu uma foto do jogo!
Uma cerveja no Guairacá ou no Bar Lang, depende de onde você está vindo. Um rádio ligado na Clube vai dando as notícias: - O Inter acaba de chegar ao Tio Vida... O público vai tomando o pavilhão e as gerais... E aí você toma o rumo do Estádio Vidal Ramos Júnior, para escolher o lugar de onde vai torcer pelas camisas vermelhas. Como já faziam, provavelmente, seu pai e seu avô. O Inter tem 61 anos de idade, fosse gente e estaria sob a proteção do Estatuto do Idoso. Não é gente, mas é como se fosse da família. Da família lageana. As cores da cidade são verde, amarelo, azul e branco? Sim, mas pode acrescentar aí o vermelho, do nosso sangue serrano e do Inter, a mais legítima expressão lageana nos campos de futebol.
O Inter vai voltar e você precisa voltar junto com ele. Voltar a acreditar que merecemos um time de futebol. Voltar a acreditar que o Colorado véio de guerra é a seleção do sul do mundo. Voltar a acreditar que no Vidal Ramos nós somos invencíveis. Porque o que fez do Inter um gigante foi só isso: nós acreditávamos nele.
O jogo vai ser no dia 15 de agosto, contra o Oeste. Divisão de acesso do campeonato catarinense. Equivale à terceira divisão, mas não faz mal. Não importa a divisão. O que importa é o nosso Inter de Lages, o velho Leão da Serra. Não importa se jogaremos a Série A do Brasileiro ou a terceira divisão do Jocol. Só o que importa é que o time que vai pisar o gramado é o Inter de Lages. O nosso Inter. O resto é bobagem.
Vá ao estádio. Leve seu pai, seu filho, seu irmão, sua namorada. Chame seus amigos. Vamos lá mostrar que o Inter não é do tamanho da divisão que joga. O Inter é do tamanho da nossa paixão. O Inter só faz sentido se estivermos lá para gritar, para apoiar, para nos sentirmos mais serranos quando aquelas camisas vermelhas se espalharem pelo gramado. O serrano de verdade é solidário, e o Inter está precisando de nós. Te vejo no Vidal Ramos.
O Lauremir Saavedra (Lali) me disse hoje que a semifinal dos juniores, entre Inter x Guarani, foi suspensa. O motivo é que a federação teria detectado que um jogador do Inter foi escalado de modo irregular no primeiro jogo do campeonato, e com isso o Inter perderia os pontos. Segundo o Lali, o caso vai a julgamento. E eu acrescento: se vai a julgamento, muito provavelmente estamos ferrados...
Dia 15 de agosto o Inter volta à ativa, na divisão de acesso, contra o Oeste. Estarei lá no Vidal Ramos, como fiz a vida toda, independente da divisão. Mas ontem fiquei sabendo que os juvenis e juniores do Colorado jogariam no campo dos amadores, e não aguentei. "Me pinchei" pro Pisani para dar uma olhada.
Ao avistar o campo, ainda de dentro do carro, enxerguei aquelas lindas camisas vermelhas se espalhando pelo gramado verde, debaixo de um abençoado céu azul no inverno lageano. Impossível não se emocionar.
Vi o finalzinho da partida dos juvenis, que perderam pro Navegantes por 2x1, e assisti a todo o jogo dos juniores. O Inter saiu na frente, gol do centroavante Caio, e poderia ter até goleado. Os gols perdidos fizeram falta, o Navegantes virou e o Inter só conseguiu o empate no último minuto, golaço do zagueiro Franklin de fora da área.
Os juniores devem ser classificar para as semifinais. É bom o time, principalmente o meia Folha, e o técnico Pacheco montou um esquema bem equilibrado. Segue aí uma foto do jogo, cortesia do Adecir, d'O Momento. Um bom aperitivo para o dia 15 de agosto.
Inter 2x2 Navegantes 28 de julho de 2010 Estadual de Juniores - Divisão de acesso Estádio dos Amadores - Lages Árbitro: Alisson Furtado Inter: Jonatan, Matheus, Edson, Franklin e Valdinei; João Guilherme, Folha, Diego e Eduardo; Caio e João Daniel. Técnico: Pacheco. Gols do Inter: Caio e Franklin.
O ponteiro Zezé recebeu a bola ao lado da área, vigiado de perto pelo lateral Édson Madureira. Ameaçou retroceder para o armador Ricardo, mas mudou o movimento do pé e deu um toque cavado para o fundo do campo, ganhando meio passo de vantagem sobre seu marcador. O cruzamento saiu suave e passou por cima do centroavante Puskas, que puxara a marcação no primeiro pau. Por pouco a bola não encobre também o camisa onze Anacleto, que subiu tudo o que pôde, logo ele, que nunca havia feito um gol de cabeça. Das cinco mil pessoas que superlotavam o acanhado estádio Vidal Ramos, nenhuma teve melhor visão do lance do que Zezé. Ele viu Anacleto dar com a testa em cheio na bola, que tomou o rumo do canto esquerdo do goleiro Rubens. Apanhado no contrapé, o velho Rubão se esticou todo, com a mão esquerda espalmada. Não houvesse a rede e a bola pararia nos pés de Zezé, depois da linha de fundo. Mas havia uma rede, e a bola ficou ali, no fundo do gol do Metropol.
Naquele instante, o Internacional de Lages marcava pela segunda vez na tarde de 27 de março de 1966. Anacleto, que tinha um canhão no pé esquerdo, também havia marcado o primeiro gol, mas de pé direito. Ele jamais havia marcado gols com o pé direito ou de cabeça, e quis o destino que o fizesse justamente no jogo mais importante de sua vida, o jogo que deu ao Internacional a maior conquista de sua história, o título de campeão catarinense de 1965. O lendário Metropol ainda marcaria o seu gol de honra, mas não seria suficiente para estragar a festa colorada.
O Inter de Lages, clube que havia sido fundado 17 anos antes por torcedores do Inter de Porto Alegre, não acabou ali. Na verdade, estava em plena ascensão. Ainda em 1966, inauguraria o seu próprio estádio, o Vermelhão, em um amistoso contra o Huracán de Buenos Aires. Em 1974 seria vice-campeão catarinense, com o centroavante Parraga, que brilharia depois na Ponte Preta. Teria ainda outras glórias que não constam sequer como nota de rodapé na história do futebol, mas que orgulharam sua torcida. Uma vitória contra a Máquina Tricolor, com Edinho e Rivellino, em 1978. A honra de ter Andrade, campeão do mundo pelo Flamengo, vestindo sua camisa vermelha em 1991. E a última grande festa, a conquista do campeonato estadual da segunda divisão em 2000, com um gol de falta de Kuki, ainda longe do sucesso que teria no Náutico.
Para todos que, como eu, frequentaram o estádio Vidal Ramos, o Internacional era um gigante. Porque representava a nossa cidade, porque amávamos o time sem pedir nada em troca, porque era aquele o futebol que nos chegava sem o chiado do rádio e sem o distanciamento da televisão. O Internacional era o nosso futebol com cheiro de grama, com o estampido seco da chuteira batendo na bola, com os lugares que ocupávamos domingo após domingo, longe demais dos Maracanãs e Morumbis, mas perto de nossos passos, de nossas casas, de nossos sonhos.
Assim como o Tejo não era mais belo que o rio da aldeia de Pessoa porque não era o rio da aldeia de Pessoa, amávamos o Internacional. Não era um clube que jogava as grandes ligas, que pisava os melhores gramados, que arrastava multidões, mas era o clube da nossa aldeia. Era, porque está desativado, vitimado por ele próprio, pelo futebol que não se faz mais com a renda dos jogos, pelo tempo que é tão diferente daquela tarde nublada de 27 de março de 1966.
Eu poderia falar do Internacional pelas histórias que ouvi, pelos dribles que vi, pelos gols que gritei. Poderia dizer que aquelas camisas vermelhas se espalhando pelo campo é meu sentimento mais remoto de pertença. Mas prefiro mostrar a foto do gol do título, com Anacleto já caído vendo a bola entrar, Rubens esticado no salto inútil, o estádio a décimos de segundo da explosão maior. Só por hoje, vou acreditar que o Internacional ficou congelado ali, a um sopro de sua glória maior. Porque faz 44 anos esta tarde e porque o Inter agora, parafraseando Drummond, é só uma foto na parede. E como dói.
Internacional 2x1 Metropol (Criciúma)
27 de março de 1966 – Campeonato Catarinense – FINAL (temporada 1965)
Estádio Municipal Vidal Ramos Júnior – Lages
Árbitro: José Witti da Silva (Paraná)
Inter: J. Batista, Antenor, Leoquídio, Setembrino e Carlinhos; Dair e Almir; Zezé, Ricardo, Puskas e Anacleto.
Metropol: Rubens, Pedrinho, Hamilton, Nenê e Edson Madureira; Zequinha e Milton; Calita (Galego), Idézio, Madureira e Wolney.
Gols: Anacleto aos 15 do 1° tempo; Anacleto aos 14 e Édson Madureira aos 30 do 2° tempo.
Obs.: com este resultado, o Internacional conquistou o campeonato catarinense de 1965.